9AM
Não acredito em um “estou com saudades” se não vier acompanhado de um “como faço para te ver?
(Source: letificar, via amor-tripolar)
April122012
Naquela manhã a sua falta sufocou o meu peito, como nunca antes havia sufocado. Um telefonema não resolveria. Te ver na web não amenizaria. Eu precisava te ver, te sentir - o teu cheiro principalmente - e te tocar. Mas o que se fazer? Você mora a exatamente 6 horas daqui. De avião deve ser menos, mas não tenho como pagar uma passagem. Procurei alguma promoção relâmpado, mas não dei sorte. O preço que a moça da rodoviária me informou também não foi estimulante. Lembrei do carro de papai. Mas havia me esquecido que não tinha tirado a minha carteira ainda e me odiei por isso, como me odiei. Então me lembrei que um dia você me disse que a estação de trem era próximo a sua casa. Liguei pro 102 e me informaram o número da estação. Ufa. Dentre todas as opções essa era a mais acessível no momento. Revirei o meu quarto atrás de cada centavo. Levantei o colchão e raspei minhas economias. Coloquei algumas coisas na mochila, um livro, algo pra comer… Não avisei ninguém, nem mesmo os meus pais e não quis te avisar também. Queria te fazer uma surpresa. Cheguei em cima da hora. Entrei em uma cabine qualquer e me acomodei. Abri o livro, mas meus pensamentos estavam muito tumultuados para me concentrar. Resolvi colocar meu fones de ouvido e olhar a paisagem. Grandes paisagem. Só havia mato e mais mato. Cochilei por algumas vezes, mas nem me dei conta do tempo que se passou. Demorou mais de 6 horas, com certeza. Já tinha ouvido que trem demorava, mas quando olhei a hora no celular foi que me dei conta do tempo corrido. Desembarquei com a cara um pouco amassada. A próxima fase era procurar sua casa. Não foi difícil. Eu tinha o endereço e era a duas quadras da estação. Fui ao banheiro, molhei o cabelo, escovei os dentes e abri uma mentos de iogurte, sabia que era a sua bala preferida. Espirrei meus perfumes e olhei-me no espelho com quem diz “acho que dá pra impressionar”. Cheguei até a rua da sua casa e meu coração disparou. Éramos tão íntimos, um intimidade de longe. Não era a mesma coisa de ver cara a cara. Reconheci a sua casa por causa daquela foto no seu facebook. Agora era a hora. Precisava de coragem pra tocar o interfone. Eu sabia que todas as frases e diálogos que eu havia ensaiado não iriam sair. Mas já estava ali, não poderia parar agora. E quando eu ia apertar o interfone…. Você apareceu na janela e gritou o meu nome. Eu só conseguia reparar no seu sorriso e no brilho dos teus olhos. Não respondi nada até ouvir meu nome mais uma vez. Quando dei por mim. Você estava na minha frente, melhor, eu estava nos teus braços. Antes mesmo que eu pudesse dizer uma palavra se quer, sentir a tua boca encontrar a minha. Como eu havia esperado por esse beijo. Pra falar a verdade, acho que foi o melhor beijo da minha vida. O que dei com mais vontade. Depois que me fez aquelas perguntas “O que você esta fazendo aqui, pateta?”, “Sua mãe sabe?”… Eu havia esquecido de ligar avisando pra minha mãe. Mas nada importava naquele momento. Na verdade o que importava era o momento. Aquele momento, com você. Respondi qualquer coisa fofa que não me recordo agora. Só queria arrancar um sorriso. Me convidou pra entrar, me apresentou ao teus pais. E fomos para o seu quarto. Liguei pra mamãe e disse que estava na casa de um amigo e que dormiria por lá. ela até que levou numa boa. Ficamos ali até o entardecer. Prefiro não descrever nossa intimidade aqui. Deixaria de ser intimo. Ao anoitecer me levou até a estação. Senti o coração apertar mais uma vez. Pude ver lágrimas em seus olhos e segurei as minhas. Não queria demonstrar fraqueza. Beijou-me com tanta intensidade que foi como se estivesse me abraçando fortemente. Segurou em minha mãos e me disse um “adeus”. Sorri e respondi com um “até logo”. Entrei no trem de volta pra casa. Mas estava voltando com a mochila pesada. Havia trazido seu coração comigo.
Querido John (via vivervivendo)(via desapegar-se)